FOTO DO ALMOÇO ANUAL

FOTO DO ALMOÇO ANUAL
A VELHA MALTA

segunda-feira, 28 de março de 2011

ENTREVISTA AO JORNALTV.INFO


À CONVERSA COM JOÃO BRITO SOUSA

Por António Pereira


JOÃO MANUEL de BRITO de SOUSA é colaborador do jornalTV.info e acaba de lançar o seu 2º romance, “COMO SE GOSTASSE”, que pode ser encontrado na Livraria EuEdito ou contactando o autor directamente, enquanto não procede ao lançamento público do mesmo. O autor é um amante da literatura, escreve prosa e poesia e têm-lhe chegado alguns ecos favoráveis, referindo a qualidade dos seus trabalhos. Foi um homem profissionalmente relacionado com o mundo da gestão de empresas e com o ensino. Hoje é reformado e escreve crónicas em jornais, prosa e poesia e tem três volumes publicado. Aí vai o resultado da conversa.


1 – JORNALTV.info (JTV) - Tenho acompanhado os seus trabalhos, quer nos jornais quer nas suas obras publicadas. A literatura entrou-lhe assim de repente? O que o levou a produzir ?


JOÁO BRITO SOUSA (JBS) - Eu sempre gostei de escrever. Fazia redacções engraçadas na escola primária, pelo menos era o que a professora dizia. Imaginava cenários e descrevia-os. Ultimamente, há cerca de três anos, criei dois ou três blogues e foi através da leitura por terceiros, que fui contactado por uma editora para publicar os trabalhos que aí escrevia. Por sugestão da editora, desloquei-me à sede da empresa em Lisboa e aconteceu que me convenceram que era capaz de escrever um livro e meti mãos à obra. Compilei tudo o que tinha escrito, seleccionei o melhor, acrescentei mais umas páginas procurando dar-lhes uma lógica e saiu assim o “LUCIDEZ DE PENSAMENTO”


2 – (JTV) - Escrever nos jornais e escrever livros, o que se oferece dizer.


(JBS) – Eu considero-me um cronista quando estou a escrever para os jornais. Nunca serei um jornalista, que é o homem que está atento ao meio que o rodeia e quase chega ao local da notícia antes das coisas acontecerem. Um jornalista, tal e qual o bombeiro, está sempre disponível e atento e sente-se vocacionado para dar a notícia. Eu escrevo crónicas, que é bastante diferente. Muitas crónicas podem constituir um livro. E daqui pode partir-se para a ideia de se escrever um romance. Há muitos escritores que começaram no jornalismo. Hemingway, por exemplo, começou como jornalista correspondente de guerra e chegou ao Nobel da Literatura.


3 – (JTV) – Sim, mas como é que o livro nasce?


(JBS) – Espontaneamente. Eu quero escrever um livro e, daqui donde estou, olho à minha volta, capto uma imagem ou duas e vou para o computador. Pode não ser bem assim mas é quase. No livro que estou a escrever agora, ocorreu-me a lembrança de um médico que em tempos me passou um atestado, para justificar uma falta dada na escola onde leccionava. E lembro-me de ter encontrado esse senhor, noutra vez, sentado num café com mais duas ou três pessoas, a falarem de História de Portugal. Sem mais, ajeitei as duas coisas e já lá vão 19 páginas. E espero para o ano chegar às cem, no computador, que dará umas 180 no romance, o que é bastante bom. Nada programado. As palavras que vou escrevendo vão puxando por outras, os cenários que vou construindo puxam por outros e assim o romance vai tomando forma. Não preciso de ter tudo na cabeça; as ideias vão saindo e eu vou escrevendo. Os meus livros nascem assim.


4 – (JTV) - Como é a sua relação com a escrita?


(JBS) – A minha relação com a escrita é de grande amizade. Eu escrevo porque sinto essa necessidade de escrever. Para mim, escrever é estar a falar com alguém, é dialogar, é discutir, porque eu tenho necessidade de estar próximo dos outros fazendo coisas. Então, procuro através da escrita o outro, esse que não está ali à mão mas que eu substituo pelas personagens. E esses diálogos que escrevo, fazem-me companhia e eu sinto-me bem na sua presença, o que gera, enquanto escrevo uma grande relação de amizade entre mim e as personagens. Depois da obra terminada, tenho alguma saudade delas.


5 – (JTV) - Quando escreve pensa nos seus leitores. A sua escrita tem uma direcção definida. Escreve como?


(JBS) –. A direcção da minha escrita vai de encontro aos leitores. Chegar a eles, conquistá-los, estar perto deles é a direcção do meu trabalho Digamos que é para eles que escrevo. Mas curiosamente, depois da obra publicada, coloco-me na posição de leitor e gosto de ler aquilo que escrevi. Por isso digo-lhe que também escrevo para mim. Escrevo com uma certa ternura, como se estivesse a escrever um poema, com um certo ar de “suspense”, para agarrar o leitor.


6 – (JTV) – O que é que pensa de si como escritor?


(JBS) – Penso que ainda não sou escritor. Para se chegar a escritor há um longo caminho a percorrer. È um grande desafio e um trabalho que nunca está totalmente conseguido. Um escritor é uma pessoa muito ocupada porque é um homem de intervenção. É sempre um homem do seu tempo, quero dizer, pode escrever um tema do passado, introduzindo-lhe alguma actualidade. Há quem não concorde, mas a literatura é arte, a arte de escrever e por isso, tem a sua autoridade, pode e deve renovar. O que a literatura não deve fazer é inventar. Literatura é criação e formação. Não consegue ser um bom escritor quem não foi bom leitor Eu penso que poderei ser considerado como escritor a partir do próximo romance, porque vou empenhar-me nisso. Porque o escritor tem sempre coisas a corrigir e a melhorar e sobretudo a aprender. Somerset Maugham foi o primeiro a dizer “eu sou um escritor”, quando publicou o seu primeiro livro. Quem escreve o primeiro livro e se assume como escritor, revela-se corajoso.


7 – (JTV) – Preocupa-se com os assuntos que escreve ?


(JBS) – Os assuntos podem ser os mais diversos, posso ter ou não preocupação com isso, porque, o que acontece, é que na minha literatura, seja qual for o assunto, vai sempre ser contemplado com os princípios éticos que eu defendo e portanto, num certo sentido, os meus livros ensinam regras comportamentais, que no fundo é sempre essa a minha preocupação. Eu entendo que um romance deve explicar a quem o lê as verdades e mentiras do dia a dia, pormenores que constituem autênticas lições de vida.


8 – (JTV) – Faz muitas emendas ao texto?


(JBS) - Escrevo uma página e releio-a e no final do trabalho concluído, faço uma revisão geral, sendo esta a minha parte que se encontra menos desenvolvida, porque não tenho muita paciência para o fazer. Mas terei que o fazer ou dar a alguém que o faça porque já começo a ter responsabilidades nos trabalhos que elaboro. Hemingway, creio que foi no Adeus às Armas, modificou trinta vezes o final do livro. Outros fizeram outros tipos de emendas, inclusivamente, rasgando tudo e começando de novo. Eu, se tivesse que destruir algum romance na íntegra não faria mais nenhum com aquele conteúdo. É que, enquanto escrevo, vou sentido o sabor da escrita, quero dizer, escrevo para mim e simultaneamente para o leitor, que sou eu, enquanto escrevo. E como normalmente estou a gostar daquilo que estou a escrever, emendo pouco.


9– (JTV) – Fala muito de Hemingway. Alguma razão especial ?


(JBS) – Sim, há algumas razões. Hemingway iniciou-se no jornalismo e só depois começou a escrever romances e nisso há alguma coisa de parecido comigo. Depois as suas obras são autênticas obras de arte, fazendo questão de salientar “O Velho e o Mar”, como qualquer coisa de extraordinário. Ele coloca o velho e o tubarão em luta, no mar, apenas, mostrando claramente como é a vida, duma maneira geral. Tenho simpatia pessoal pela sua vida particular, um homem ousado e destemido, sempre próximo da morte, quer na linha da frente, na guerra, com a espingarda nas mãos ou nas touradas, tudo na “sua” Espanha e a parte terna, os seus amores violentos, a sua vida em Cuba, onde escrevia na sua Remingthon. Hemngway pareceu-me um homem que não lidava muito bem com a vida, mas foi, indiscutivelmente um grande homem da literatura. Acho que a sua vida foi um poema de amor e ódio.


10 – (JTV) – Outros autores que tenha gostado.


(JBS) – Todos os clássicos russos, Zola e Balzac, Sommerset e outros. A Enciclopédia de Diderot onde colaboraram Voltaire e Rosseau é um documento extraordinário. A Mãe de Gorky, Ana Karenine de Tolstoi e o jogador de Fiador Dostesvsky são imortais. Entre nós toda a obra de Almeida Garett, Raul Brandão no Húmus e por aí fora.


11- (JTV) – Tem alguma referência sobre alguns autores ainda no activo.


(JBS) – Sim, gostava de citar um nome: Armando Baptista Bastos.


12 – (JTV) – Não gosta de Saramago?


(JBS) - Muitíssimo. Não o li todo, mas considero obras excepcionais, os “Levantados do Chão” o “Evangelho Segundo Jesus Cristo” e o “Ano da morte de Ricardo Reis”. Saramago foi um velho teso, nunca se vergou, disse sempre o que pensava, não fez favores a ninguém, foi um campesino que conseguiu escrever livros e ser premiado, assumiu posições claras sobre a Vida, sobre Portugal, sobe a Ética, que, no seu dizer era o suficiente para termos uma sociedade melhor. A sua palavra preferida era o respeito. Saramago entendia que, se nos respeitássemos uns aos outros, o mundo seria outro e melhor. Ele não gostava da frase “Não faças aos outros aquilo que não gostarias que fizessem a ti”, achava que a frase deveria ser “Faz aos outros aquilo que gostavas que eles te fizessem”. Pronunciou-se sobre o amor sem grande entusiasmo, porque o amor actua num âmbito restrito e não tem força para mudar o mundo. Amou Pilar, que chegou tarde de mais. Recorda os avós maternos, Jerónimo e Josefa, os passeios que dava nos terrenos enlameados da Azinhaga, local onde nasceu, fala com saudade das idas á Biblioteca à noite, do curso de serralheiro civil que, curiosamente continha a disciplina de Literatura, do seu emprego na oficina de automóveis, onde afinava as válvulas dos motores e… e… e…


13 – (JTV) – O País e a crise? Tem receio?


(JBS) – Não é agradável viver-se num clima destes, onde as perspectivas não são nada agradáveis, claro. Mas o meu receio principal é que, além da crise económica / financeira, há ainda a crise de valores sociais que tem uma relação muito próxima com a crise financeira. No fundo isto está tudo ligado. Mas, o receio da crise económica /financeira que vem aí, tem duas componentes, uma é não saber-se oficialmente porque é que a crise se instalou, quais as causas e o Governo tinha uma certa obrigatoriedade de esclarecer alguns casos como seja o do BPN, Face Oculta e por aí fora e a outra deriva de ter sido o Governo que não actuou bem e sermos nós a pagar a factura. Vamos ver como as coisas vão decorrer.


14 – (JTV) – Qual a sua grande preocupação de momento?


(JBS) - As minhas grandes preocupações são sempre de ordem social O desemprego preocupa-me imenso e a possibilidade da economia entrar em recessão também. A vida em si é uma grande preocupação. Umas vezes corre bem outras mal, mas é a que temos.


15 – (JTV) - Para terminar o que é ainda gostaria de dizer.


(JBS) – Quero dizer – lhe MUITO OBRIGADO.

quinta-feira, 24 de março de 2011

AS PESSOAS


AS PESSOAS

Andam por aí.

E fazem coisas que não entendo. Qual é o objectivo de viver ? Será que as pessoas em geral já pensou nisso? Valerá a pena ser incorrecto, indesejável, ambicioso, desonesto, incoerente, incumpridor, desumano e por aí fora… Acho que deveríamos pensar nisto, a sério. Porque entendo que estas situações que as pessoas criam não são compatíveis com o dia a dia.

Onde as pessoas se cruzam e se ignoram.

Apesar de não ser um modelo de comportamento, deu-me para aqui. De fazer um apelo ao bom senso. Mas quem sou eu ? Terá cabimento esta crónica ?

Não sei.

Quando ia para a Escola de bicicleta pedaleira, anos cinquenta, cruzava-me com um velhote ali para os lados das Pontes de Marchil, para aí de quarenta e tal anos, que cumprimentava toda a gente que ia em sentido contrário e sorria.

Era uma atitude simpática. Que trazia qualquer coisa de esperança naquele sorriso amigo, afável, seguro, sereno

Já deu para ver que, se formos humildes e praticantes da verdade temos mais possibilidades de trazermos um sorriso na face.

Como o do velhote.

Já agora,

Que é feito do Alfredo, sim, o Mingau ? E do Montinho ? Às vezes é importante dizer não e estes colegas diziam. Com charme e com autenticidade. Se falo deles é porque tenho saudades de comentar as suas crónicas.

Punha-me a ler os textos e os meus comentários teriam que ser sentidos e verdadeiros. Aquele era um trabalho que eu gostava de fazer porque me educava o carácter. Hum, estarei a ir bem. Optava pelo sentir. E lá ia.

Aquelas histórias que o Montinho contava. É a última, dizia ele. E depois lá vinha mais uma.
Porque é que já não vêem.

E o Norberto ? E o Moreno ? E o Diogo from USA.

Mas temos o Jorge Tavares. Que assina costeleta 1950 / 56.

É o único que o faz. Porque será ? Acho um gesto coerente. Não será para dizer que não chumbou nenhum ano. Ou é, Jorge ?

Eu repeti dois. Mas vou pôr.

Deixo-vos um abraço.

João Brito Sousa
Costeleta 1952 / 61

segunda-feira, 21 de março de 2011

ELEIÇÕES NO SPORTING


DESPORTO

AS ELEIÇÕES DO SPORTING

Há entusiasmo eleitoral. Cinco ou seis candidatos credíveis pelo menos em termos pessoais é importantíssimo para o panorama desportivo em Portugal, nomeadamente, para o futebol. Com esta atitude o Sporting Clube de Portugal demonstra estar vivo. Há algum dinheiro e nomes de treinadores em cima da mesa. Acho que Domingos será uma boa aposta, porquanto já mostrou que sabe da poda e conhece bem o futebol português. Passar por Braga fez-lhe bem.
No que aos candidatos diz respeito na minha opinião o que está mais preparado é o Juiz Abrantes Mendes, sportinguista inquestionável e que a mim me parece ver o futebol para além do futebol.
Efectivamente o futebol hoje não é só jogar à bola dentro do campo, para ganhar é preciso muito mais do que isso. O Sporting ontem à noite no jogo com a União de Leiria, jogou para ganhar por 4 ou 5 e empatou o jogo. Porquê ? É preciso que um dirigente perceba isto. Apesar de o jogo de ontem ser fácil de perceber porque é que o Sporting não marcou golos tendo criado várias ocasiões para o fazer.
Agora, há ocasiões em que não se percebe porque é que não se ganha ou não nos deixaram ganhar. E o dirigente tem de estar atento.
Deixo uma dica: em Espanha acusam Mourinho de pressionar os árbitros.

João Brito Sousa

quarta-feira, 16 de março de 2011

AO LADO ESQUERDO DO ZÉ PINTO

MESTRE MÁRIO

Figura de costeleta
incontornável
especialista
na área do ensino
e da amizade

Um grande Mestre e
Grande amigo
Que targo sempre
comigo

Grande declamador de Villarett ,
no fado falado que aí vai


Fado Triste
Fado negro das vielas
Onde a noite quando passa
Leva mais tempo a passar
Ouve-se a voz
Voz inspirada de uma raça
Que mundo em fora nos levou
Pelo azul do mar
Se o fado se canta e chora
Também se pode falar


Mãos doloridas na guitarra
que desgarra dor bizarra
Mãos insofridas, mãos plangentes
Mãos frementes e impacientes
Mãos desoladas e sombrias
Desgraçadas, doentias
Quando à traição, ciume e morte
E um coração a bater forte
Uma história bem singela
Bairro antigo, uma viela
Um marinheiro gingão
E a Emília cigarreira
Que ainda tinha mais virtude
Que a própria Rosa Maria
Em dia de procissão
Da Senhora da Saúde


Os beijos que ele lhe dava
Trazia-os ele de longe
Trazia-os ele do mar
Eram bravios e salgados
E ao regressar à tardinha
O mulherio tagarela
De todo o bairro de Alfama
Cochichava em segredinho
Que os sapatos dele e dela
Dormiam muito juntinhos
Debaixo da mesma cama


Pela janela da Emília
Entrava a lua
E a guitarra
À esquina de uma rua gemia,
Dolente a soluçar.
E lá em casa:
Mãos amorosas na guitarra
Que desgarra dor bizarra
Mãos frementes de desejo
Impacientes como um beijo
Mãos de fado, de pecado
A guitarra a afagar
Como um corpo de mulher
Para o despir e para o beijar
Mas um dia,
Mas um dia santo Deus,
ele não veio
Ela espera olhando a lua, meu Deus
Que sofrer aquele
O luar bate nas casas


O luar bate na rua
Mas não marca a sombra dele
Procurou como doida
E ao voltar da esquina
Viu ele acompanhado
Com outra ao lado, de braço dado
Gingão, feliz, levião
Um ar fadista e bizarro
Um cravo atrás da orelha
E preso à boca vermelha
O que resta de um cigarro
Lume e cinza na viela,
Ela vê, que homem aquele
O lume no peito dela
A cinza no olhar dele


E o ciume chegou como lume
Queimou, o seu peito a sangrar
Foi como vento que veio
Labareda atear, a fogueira aumentar
Foi a visão infernal
A imagem do mal que no bairro surgiu
Foi o amor que jurou
Que jurou e mentiu
Correm vertigens num grito
Direito ou maldito que há-de perder
Puxa a navalha, canalha


Não há quem te valha
Tu tens de morrer
Há alarido na viela
Que mulher aquela
Que paixão a sua
E cai um corpo sangrando
Nas pedras da rua
Mãos carinhosas, generosas
Que não conhecem o rancor
Mãos que o fado compreende
me entendem sua dor


Mãos que não mentem
Quando sentem
Outras mãos para acarinhar
Mãos que brigam, que castigam
Mas que sabem perdoar
E pouco a pouco o amor regressou
Como lume queimou
Essas bocas febris


Foi um amor que voltou
E a desgraça trocou
Para ser mais feliz
Foi uma luz renascida
Um sonho, uma vida
De novo a surgir
Foi um amor que voltou
Que voltou a sorrir
Há gargalhadas no ar
E o sol a vibrar


Tem gritos de cor
Há alegria na viela
E em cada janela
Renasce uma flor
Veio o perdão e depois
Felizes os doisLá vão lado a lado
E digam lá se pode ou não
Falar-se o fado


Recolha de
JBS

segunda-feira, 14 de março de 2011

JOSÉ SOUSA PINTO

SEGNDA FILA SEGUNDO LUGAR


É ocupado
Pelo José Pinto

Um grande homem

e grande amigo

Conhecido de toda a gente
é um companheirão
com uma história
para contar

da tropa
principalmente
lá em Tavira
com o Bastinhos

e outros

como o Ludgero Farinha
um bom homem
e igualmente
um bom amigo

Um abraço para os dois do
JBS

sábado, 12 de março de 2011

TSUNAMI




O TSUNAMI

Impressionante. Quem viu o funcionamento do Tsunami no Japão, pela TV, deveria, no mínimo, de ter ficado aterrorizado, com o desenrolar do acontecimento. Uma cidade como Sendai, no nordeste, que foi a região atingida, ser acometida dum desregulamento da natureza e começar a cair por todos os cantos, é assustador, pelas poucas chances que deixa para recuperar.
Quando o meu padrasto faleceu, na sua homília de despedida na capela, o senhor prior comentou o falecimento desta forma: tens muito dinheiro, olha para ali (e apontava para o caixão), tens muitos automóveis, olha para ali, tens muitas hortas, olha para ali e por aí diante.
Houve muitos escritores que se revoltaram contra esta forma de vida, que agora o Tsunami aproveitou para demonstrar que de facto a vida não vale nada. Mas as pessoas não querem saber disso, mas Raul Brandão e Torga, quiseram.
Diz Brandão: “O hábito é que me faz suportar a vida. Às vezes acordo com este grito: - A morte! A morte! - e debalde arredo o estúpido aguilhão. Choro sobre mim mesmo como sobre um sepulcro vazio. Oh! Como a vida pesa, como este único minuto com a morte pela eternidade pesa! Como a vida esplêndida é aborrecida e inútil! Não se passa nada, não se passa nada. Todos os dias dizemos as mesmas palavras, cumprimentamos com o mesmo sorriso e fazemos as mesmas mesuras. Petrificam-se os hábitos lentamente acumulados. O tempo mói: mói a ambição e o fel e torna as figuras grotescas”
“Toda a gente forceja por criar uma atmosfera que a arranque à vida e à morte. O sonho e a dor revestem-se de pedra, a vida consciente é grotesca, a outra está assolapada. Remoem hoje, amanhã, sempre, as mesmas palavras vulgares, para não pronunciarem as palavras definitivas. E, como a existência é monótona, o tempo chega para tudo, o tempo dura séculos”
“A vida é fictícia, as palavras perdem a realidade. E no entanto esta vida fictícia é a única que podemos suportar. Estamos aqui como peixes num aquário. E sentindo que há outra vida ao nosso lado, vamos até à cova sem dar por ela. Estamos aqui a matar o tempo “
“Reduzimos a vida a esta insignificância... Construímos ao lado outra vida falsa, que acabou por nos dominar. Toda a gente fala do céu, mas quantos passaram no mundo sem ter olhado o céu na sua profunda, temerosa realidade? O nome basta-nos para lidar com ele “
“Desde que se cumpram certas cerimónias ou se respeitem certas fórmulas, consegue-se ser ladrão e escrupulosamente honesto - tudo ao mesmo tempo. A honradez deste homem assenta sobre uma primitiva infâmia. O interesse e a religião, a ganância e o escrúpulo, a honra e o interesse, podem viver na mesma casa, separados por tabiques. Agora é a vez da honra - agora é a vez do dinheiro - agora é a vez da religião. Tudo se acomoda, outras coisas heterogéneas se acomodam ainda. Com um bocado de jeito arranja-se-lhes sempre lugar nas almas bem formadas “
Colocado por
JBS

sexta-feira, 11 de março de 2011

A AMIZADE








A AMIZADE
Por João Brito Sousa

A AMIZADE é um sentimento nobre que deve perdurar nos nossos corações, se possível, duradoiramente. É um sentimento belo, que nos dispõe bem e alegra-nos a alma. O passo seguinte é a felicidade. Ou a harmonia interna como pretende Saramago. Somos amigos de alguém quando se é detentor de carácter reconhecido por muitos. A amizade às vezes embaraça-nos e faz-nos exigências nas contrapartidas que moralmente requer. Temos de compartilhar com o amigo e ouvi-lo com atenção. È um amigo que está a falar. É ele a nossa voz, as nossas intenções são as suas, há um intercambio de interesses. E a vida sorri. A boa disposição chega e a vida é mais bela. A vida tem o seu encanto se nos oferecer condições para sonhar e se nós dialogarmos, entre nós, da melhor maneira que soubermos. A vida é sabedoria, é conhecimento, é alegria é vaidade às vezes. E também pode ser sofrimento. Normalmente é também. Ser amigo ou dar amizade a alguém é ter saudade, é gostar de estar, é sentir a sua ausência, lamentar-se. É desejar o bem, é querer o melhor, é tudo o que desejamos para nós desejarmos igualmente aos outros, é ter dinheiro para custear o essencial, é dizer bom dia amigo, é andarmos de cabeça erguida. E espinha direita.
A amizade reflecte-se naquele abraço que se dá à nossa mãe, quando chegamos de um longo período de ausência. A nossa mãe é sempre amizade. Nada mais belo que abraçar a mãe e perguntar-lhe, dizendo, mãe, estás bem, como te amo. Mãe, sempre. A minha mãe estará sempre comigo. In my heart.
Os meus amigos que já partiram deixaram-me mais só. Porque éramos verdadeiramente amigos. Uma vez …
Tenho saudades de tudo porque tudo o que fiz, amei. Pus nisso tudo, todo o meu empenho, todo o meu querer, todo o meu saber. Aprendi a sofrer, paulatinamente, pouco a pouco, degrau a degrau. Mas sofre-se mesmo amando, mesmo gostando, mesmo querendo. A amizade não é um sentimento linear. É um processo de gradual evolução, havemos de lá chegar. Mas é mais difícil manter. Um dia vem…que …
Devemos constituir laços de amizade fortes, indestrutíveis, quase. No fundo é amarmos, as coisas e as pessoas. Precisamos de amor. Precisamos de dar amor. Precisamos de partilhar, com os que nos estão mais próximos. Se todos pensássemos nisso, teríamos uma vida melhor, o ar será mais puro, as rosas mais vermelhas, os cravos idem e mais encantadoras as campanuláceas do valado. E os escritores seriam mais fluidos, surgiriam ideias, seria um mundo mais poético. Poesia. Poesia, o que é? É a amizade plena. É o encantamento que nos chega através da palavra. É a palavra no lugar certo.
Uma vez perguntaram a Hemingway se emendava os textos. Sim, disse o escritor. Para quê? Para ajeitar as palavras. A poesia nas palavras. A amizade nas palavras.
A amizade.


jbritosousa@sapo.pt